A ressurreição dos mortos

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“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2).

A ressurreição dos mortos é obra específica de Deus, e diz respeito à revivificação dos corpos físicos.

A doutrina da ressurreição se baseia essencialmente sobre o fato da ressurreição de Cristo. O Mestre enfatizou e deu um sentido especial a essa doutrina (Jo 5.28,29), deixando claro que não haverá uma única, geral e simultânea ressurreição para os mortos, e sim, que acontecerá em duas fases distintas: a ressurreição dos justos e a dos ímpios.

O QUE É RESSURREIÇÃO

Sentido original. Duas palavras gregas (anastasis e egeiró) definem o termo ressurreição. Elas claramente indicam “tornar à vida”, “levantar-se”, “erguer-se”, “despertar”, “acordar”.

Sentido doutrinário. Ressurreição é a outorga da vida ao que havia se extinguido fisicamente. E o ato do levantamento daquilo que havia estado no sepulcro. Várias vezes nos deparamos com a expressão “ressurreição dos mortos“ (1 Co 15.12,13,21,42), que se refere a uma ressurreição geral, de justos e ímpios. Porém, quando se refere aos justos, a expressão no original é restritiva e se traduz por “ressurreição de entre os mortos”. A expressão “de entre os mortos” quer dizer os mortos tirados do meio de outros mortos.

CARÁTER GERAL DA RESSURREIÇÃO

No Antigo Testamento. Vários personagens importantes da história do Antigo Testamento demonstraram sua confiança e crença na ressurreição. Abraão cria na ressurreição (Gn 22.5, Hb 11.17-19); (Jó 19.25-27); um dos filhos de Coré, cantor, salmodiava sobre a ressurreição (Sl 49.15); o profeta Isaías cria e profetizava sobre a ressurreição (Is 26.19); Daniel, profeta e estadista, declarou sua crença na ressurreição (Dn 12.2,3); e Oséias, um profeta destacado em Israel, fez o mesmo (Os 13.14).

No Novo Testamento. A doutrina da ressurreição foi declarada e ensinada por Jesus em seu ministério terrestre (Jo 5.28,29; 6.39,40,44,54; Lc 14.13,14; 20.35,36). Ensinada e reafirmada pelos apóstolos e os pais da Igreja primitiva (At 4.2). Em Atenas, na Grécia, Paulo pregou a Jesus Cristo e Sua ressurreição (At 17.18). Repetiu isso, também, para os filipenses (Fp 3.11), aos coríntios (1 Co 15.20), aos tessalonicenses (1 Ts 4.14-16), perante o governador Felix (At 24.15). O apóstolo João, não só relatou o ensino de Cristo sobre a ressurreição, mas ele mesmo ensinou sobre o assunto (Ap 20.4-6).

Alguns exemplos bíblicos de ressurreições literais.

a) No Antigo Testamento. A história dramática da ressurreição do filho da mulher sunamita através da oração do profeta Eliseu (2 Rs 4.32-37). Há um caso posterior mais impressionante. O profeta Eliseu já havia morrido e sido sepultado, e um grupo de moabitas, para fugir de uma perseguição inimiga, lançou o seu morto na cova onde estavam os restos mortais de Eliseu. Ao tocar os ossos do profeta o morto reviveu e se levantou sobre seus pés (2 Rs 13.20,21).

b) No Novo Testamento. Os exemplos são numerosos, começando pelo ministério pessoal de Jesus Cristo: a filha de Jairo (Mt 9.24,25); o filho de uma viúva de Naim (Lc 7.13-15); seu amigo Lázaro, em Betânia, irmão de Maria e Marta (Jo 11.43,44). Ele mesmo venceu a morte depois de três dias no sepulcro (Lc 24.6) e, para confirmar Sua vitória sobre a morte, alguns corpos de santos mortos anteriormente, ressuscitaram e foram vistos em Jerusalém (Mt 27.52,53). Mais tarde, entre os apóstolos, Pedro orou ao Senhor e fez reviver a Dorcas (At 9.37,40,41).

TIPOS DE RESSURREIÇÃO

Nacional. É, em linguagem metafórica, a restauração e renovação do povo de Israel em termos políticos, materiais e espirituais (Dt 4.23-30; 28.62-64; Lv 26.14-25; Ez 11.17; 36.24; 37.21; Jr 24.6; Ez 36.24,28). O cumprimento cabal da profecia relativa à ressurreição nacional acontecerá na vinda pessoal do Messias, o Senhor Jesus Cristo (Zc 14.1-5).

Espiritual. Refere-se também metaforicamente a um renascimento espiritual dos que, tendo estado mortos em delitos e pecados (Ef 2.1) foram vivificados espiritualmente (Rm 6.4). Há, no entanto, um sentido literal dessa ressurreição, no que tange à ressurreição corporal. Porém, o aspecto físico da ressurreição diz respeito aos corpos levantados das sepulturas, os quais sofrerão uma metamorfose. Isto é: uma transformação do físico para o espiritual (1 Co 15.52; 1 Ts 4.13-17).

Física. Precisamos distinguir esse tipo de ressurreição sob dois ângulos: o temporal e o escatológico. No sentido temporal, temos o exemplo de pessoas que morreram, foram sepultadas, e pelo poder de Deus ressuscitaram; posteriormente, voltaram a morrer (2 Rs 4.32-37; Mt 9.24,25). No sentido escatológico, tanto os justos quanto os ímpios vão ressuscitar fisicamente. Os justos levantar-se-ão dos seus sepulcros na vinda do Senhor (1 Co 15.44,52; Jo 5.29). Os ímpios se levantarão, não com os santos, mas no fim de todas as coisas, no Juízo Final (Ap 20.11-15).

EXPLICANDO A RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS E A DOS ÍMPIOS

A primeira ressurreição.

a) O tempo. Divide-se em três fases distintas. A primeira fase refere-se à ressurreição de Cristo e de muitos santos do Antigo Testamento, identificados como as “primícias dos mortos” (1 Co 15.20; Mt 27.52,53); Jesus e aqueles santos ressurretos são o primeiro molho de trigo colhido (Lv 23.10-12; 1 Co 15.23). Jesus foi o grão de trigo que caiu na terra, morreu, e produziu muito fruto (Jo 12.24). Isto é: aquele grupo de pessoas de Mt 27.52,53 foi a primícia, o primeiro molho. A segunda fase refere-se à ressurreição dos mortos em Cristo na era neotestamentária, a qual se efetuará no chamamento especial por ocasião da volta do Senhor Jesus sobre as nuvens (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.14-17). A terceira fase da primeira ressurreição refere-se àqueles mortos no período da Grande Tribulação, os quais são chamados de “mártires da Grande Tribulação”. Refere-se ao restolho da ceifa, isto é, as respigas da colheita (Ap 6.9-11; 7.9-17; 14.1-5; 20.4,5).

b) A natureza dos corpos ressurretos. Não importa como os corpos foram sepultados, se em covas na terra, ou no fundo dos mares e rios, ou queimados. Na realidade, os mesmos corpos mortos serão ressuscitados. No caso dos mortos em Cristo, seus corpos serão transformados (1 Co 15.35-38), iguais ao corpo ressurreto de Cristo (Fp 3.21).

A segunda ressurreição.

a) O tempo. Já sabemos que Jesus distinguiu duas ressurreições: a dos justos e a dos ímpios (Jo 5.28,29). Alguns intérpretes entendem a ressurreição dos mortos como um só evento, num mesmo tempo. Declaram que a única distinção é que “uns ressuscitam para a vida” e outros “para a perdição”. Entretanto, essa teoria é largamente refutada. Na verdade, o tempo da segunda ressurreição acontecerá no fim de todas as coisas, após o período do Milênio na Terra, quando haverá o Juízo Final diante do Grande Trono Branco (Hb 4.13).

b) A natureza dos corpos ressuscitados dos ímpios. Quanto à ressurreição o processo será o mesmo que o dos justos. Seus corpos terão todas as partículas físicas reunidas e transformadas em corpos espirituais, mas sem qualquer glória. À semelhança dos justos no Hades, as almas e espíritos se unirão aos seus corpos sepultados para serem julgados por suas obras (Ap 20.12; Dn 12.2). Nenhuma glória, nenhuma beleza, mas totalmente inglório, para que sejam prestadas as contas perante o Supremo Juiz (Hb 4.13; Rm 2.5,6; Hb 9.27).

c) O estado final dos ímpios. Na verdade, os ímpios ressuscitarão para uma “segunda morte”, Ap 21.8. Essa “segunda morte” não significa aniquilamento, mas banimento da presença de Deus (2 Ts 1.9). Esse banimento implica que todos os ímpios serão lançados no Geena, chamado “Lago de Fogo” (Mt 25.41,46), que arde continuamente com fogo inapagável — o tormento eterno (Ap 14.10,11).

A esperança da Igreja está baseada na ressurreição de Cristo. Sua morte e ressurreição são a garantia total de que Ele voltará. Sua vitória sobre a morte foi com glória, triunfo e poder.

A doutrina da ressurreição tem forte base escriturística. O Salmista fala da esperança da ressurreição quando diz: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá” (Sl 49.15). No Novo Testamento o ensino da ressurreição ganha maior espaço que no Antigo Testamento. Paulo fala da “aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo Evangelho” (2 Tm 1.10). Jesus enfatizou e deu um sentido especial à doutrina da ressurreição (Jo 5.28,29). Portanto, o que Jesus deixa claro é que não haverá uma única, geral e simultânea ressurreição para os mortos, e sim que ela acontecerá em duas fases distintas: a ressurreição dos justos e a dos ímpios.

A ressurreição, em sua natureza, deve ser estudada mediante cinco aspectos:

A ressurreição será seletiva, mas não discriminativa. A salvação é oferecida a todos de igual modo. Deus não seleciona raça, nação, tribo ou classe social para a salvação. Porém, a ressurreição será seletiva em relação aos que fazem parte da primeira e os da segunda. Ela é seletiva quanto ao modo como se processará.

A ressurreição será universal. O caráter geral da ressurreição é universal, porque justos e injustos hão de ressuscitar (Jo 5.28,29; At 24.14,15). Nesse sentido a Bíblia descreve esse fato como a “ressurreição dos mortos”, que tem um caráter geral.

A ressurreição será dupla. Porque se trata da distinção dos justos e a dos ímpios (Jo 5.29; Dn 12.2; Ap 20.4,5). Os justos participarão da primeira ressurreição. Os ímpios participarão da segunda ressurreição (Ap 20.13-15).

A ressurreição será literal e corporal. Jesus confirmou a doutrina da ressurreição literal e corporal (Jo 5.25,28,29). Jesus ressuscitou corporalmente, por isso, o seu corpo ressurreto, mesmo estando revestido de espiritualidade, podia ser tocado e visto (Lc 24.39; At 1.9-11). Quando a Bíblia fala de “corpo espiritual” não anula a realidade da ressurreição de um corpo material, porque o mesmo será revestido de um corpo espiritual (1 Co 15.42).

A ressurreição é obra da Trindade divina. Há uma relação triuna na obra da ressurreição. Há textos bíblicos que atribuem a ressurreição a Deus, sem especificar qual pessoa da Trindade (Mt 22.29; 2 Co 1.9). Algumas vezes, a obra da ressurreição é atribuída ao Filho Jesus (Jo 5.21,25,28,29; 6.38-40,44,54; 1 Ts 4.16). Outras vezes, temos a mesma obra atribuída ao Espírito Santo (Rm 8.11). Não há divisão, nem competição entre as três pessoas da Trindade.

“Tal como o corpo de Jesus, o corpo ressurreto, do qual Ele é a vida animadora, não será nem este corpo mortal que hoje possuímos, nem o espírito desencarnado, mas um corpo espiritual. Um corpo real e espiritual. Realidade não significa necessariamente tangibilidade. Será o ar menos real do que o chumbo, ou o som menos real do que um gramado, ou a luz menos real do que uma pedra? Há a carne de um bebê, tão suave que você a toca com cuidado para não machucá-la, e há a carne de um rinoceronte, que você não consegue atravessar nem com bala de rifle. Assim é o corpo ressurreto — real, mas uma realidade gloriosa jamais dantes conhecida. Trata-se de um corpo espiritual de vida humana imortalizada pela vida ressurreta de Jesus.” (Nathan R. Wood, de uma preleção feita na Gordon Divinity School, Boston, Mass., 1944).

“A Bíblia declara que seremos como Jesus quando o virmos por ocasião de sua vinda (1 Jo 3.2). Nossos corpos serão gloriosos e dotados de esplendor e beleza; serão corpos poderosos e apropriados às regiões celestiais. Essa mudança será repentina e sobrenatural. Isto acontecerá ao soar da última trombeta. Então, encontrar-nos-emos com o Senhor nos ares; e, com Ele estaremos para sempre (1 Ts 4.17).” (Doutrinas Bíblicas, CPAD)

Extraído da Revista Lições Bíblicas para Jovens e Adultos, CPAD, 3º trimestre 2008, Escatologia — O estudo das últimas coisas

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