Os filhos mudam, e os pais?

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Base Lc 15.11-14,18,20-23

Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento”. 2 Tm 2.25ª

A adolescência é uma fase difícil tanto para o indivíduo que a está enfrentando como para quem lida com ele.

Pensando em ajudar de alguma forma os pais desses adolescentes é que colocamos esta lição como um brado de alerta.

Devido às circunstâncias da vida atual, os pais deixam seus filhos por conta de outras pessoas ou por sua própria conta, o que vem causando sérios problemas.

Vamos pensar um pouco mais em nossos filhos adolescentes. Eles precisam de ajuda.

1. Conhecendo o filho adolescente

Há bem pouco tempo foi feita uma pesquisa nos USA, cujo campo de observação foi um certo número de adolescentes cristãos.

A pesquisa visava a apontar quais as necessidades mais reveladas por eles.

A grande maioria queixou-se da indiferença dos pais. E um bom número deles chegou a declarar: “Meus pais não sabem quem sou porque não tiveram tempo para me descobrir”.

É muito séria tal declaração, por­que vem de indivíduos que estão numa idade difícil e precisam de alguém que os ajude a tomar sérias decisões.

1.1. Características do adolescente

Etimologicamente a palavra ado­lescência vem do latim adolescere, cujo significado é crescer ou desen­volver-se até a maturidade.

A adolescência é uma fase de tran­sição em que o indivíduo passa por profundas mudanças.

Eles já não são mais crianças, mas também ainda não são adultos. Suas emoções infantis ainda perduram por um bom tempo.

Psicologicamente, a adolescência é um período de definição da identidade do EU, o que traz muitos con­flitos para o indivíduo.

É comum nessa idade um desequi­líbrio emocional. Num momento, são agressivos e, no momento seguin­te, poderão estar amuados sem que­rer conversar.

São capazes de rejeitar e odiar a pessoa que, há poucos dias, amavam apaixonadamente.

Quando estão sozinhos, são com­portados e até atenciosos, mas em grupo são capazes de aprontar muita coisa.

Há também um desenvolvimento físico muito rápido. As meninas tomam formas acentuadas: bustos cres­cidos, cintura fina, quadris largos. Nos meninos começa a despontar a bar­ba, a voz fica irregular até engrossar, e há uma intensa atividade hormonal.

O desenvolvimento intelectual também é bastante acelerado. O ape­tite cresce. São desajeitados e esbar­ram em tudo por não terem noção do seu rápido crescimento.

1.2. O que os pais precisam saber

É evidente que os pais têm muitas informações sobre adolescência.

Mas parece que existe uma certa expectativa negativa sobre como encarar a adolescência do nosso pró­prio filho.

Talvez um medo de suas atitudes agressivas, de seu comportamento nada ético, a rebeldia, as companhias, o namoro precoce. Tudo isso é deveras assustador. O medo de errar leva alguns pais a deixarem o tempo correr: “quem sabe, as coisas melho­ram, essa fase passa, e ele se torna adulto”.

É necessário que os pais se cons­cientizem de que seus filhos estão passando por problemas sérios e pre­cisam da sua ajuda, pois são as pes­soas referenciais para eles.

Na verdade a relação entre pai e filho adolescente faz parte de um processo que teve início quando ele ain­da era um bebê.

Tal relacionamento é a continui­dade daquilo que iniciou no princí­pio da vida da criança quando os pais começam a determinar limites, ensi­nar o que é certo e o que é errado, quando o filho aprende a ouvir um NÃO e compreende que é para o seu bem.

Quando chegar a adolescência, ele certamente aceitará qualquer tipo de controle vindo dos pais.

O mais acertado é que se tenha um modelo educacional bem determinado desde a infância, assim haverá uma ten­dência positiva para que as dificuldades e os problemas sejam sanados. Como já existe um relacionamento sadio en­tre pai e filho, isso traz segurança e confiança para o adolescente.

1.3. Os três grandes problemas

Qual dos pais não passou pela adolescência? E óbvio que todos passaram e, como seus filhos, enfrenta­ram conflitos consigo mesmos.

Alguns deles levados para a idade adulta sem terem sido solucionados por falta de quem os orientasse.

Com tal experiência é que os pais devem ajudar seus filhos a fim de que não aconteça o mesmo com eles.

Os problemas são sempre os mes­mos. Eles se repetem a cada geração, é claro que com marcantes diferenças.

1.3.1. A questão do SER

Quem sou? Esta é uma das inda­gações que insiste na mente do adolescente.

Num momento, é tratado como criança; não deve participar das conversas dos adultos e muito menos imitá-los. No próximo momento, é considerado adulto e repreendido porque, brincando com o irmãozinho menor, quebrou o carrinho deste.

As mudanças acontecem uma após outra sem que o adolescente se dê conta do que está acontecendo de fato.

É tudo muito rápido e muito con­fuso.

Em tal situação tenta desenvolver a sua própria identidade para se tornar pessoa distinta de seus pais.

A busca da identidade perdura atra­vés das constantes interrogações: quem sou eu? qual o sentido da minha vida? qual o meu futuro?

Na necessidade de adquirir uma identidade pode ocorrer o caso de que

ele sinta que é melhor ter uma iden­tidade negativa, como por exemplo ser alguém agressivo, antipático, a não ser nada.

Este é o momento certo de ajudar o adolescente a confiar nas promessas do Senhor (Is 41.10; Hb 13.6).

1.3.2. A questão do TER

Muitos adolescentes não se con­tentam com aquilo que possuem.

Ter para eles é mais importante do que ser.

Alguns pais, principalmente aque­les que possuem um poder aquisitivo razoável, tendem a satisfazer todas as necessidades do filho, pensando que, dessa forma, conseguirão evitar frus­trações.

As crianças crescem habituadas a possuir tudo o que desejam no momento em que exigem. Mas, mesmo assim, o adolescente sente-se frus­trado porque sempre almeja algo mais. Falta-lhe alguma coisa mais importante do que os bens materiais.

E hora de ensinar-lhe que a me­lhor aquisição que pode fazer é a de possuir o amor de Jesus em seu co­ração, porque é Ele quem satisfaz de fato todas as nossas necessidades (Ef 3.19; Mt 6.33).

Acontece, também, o adolescen­te ficar frustrado porque não possui tudo aquilo que deseja.

O importante, nesse caso, é que os pais conversem, sem reservas, sobre a realidade da vida, que nem tudo o que queremos adquirimos de pronto.

O esforço, o trabalho e a confian­ça em Jesus, certamente, nos levarão à realização de sonhos e à conquista daquilo que se deseja.

1.3.3. A questão de PERTENCER

A necessidade de “pertencer” é muito aguçada no adolescente.

A prova disso é que fora de casa, ele faz parte de grupos, em que se reconhece: “minha cara”, “minha praia” etc.

Não se omita nessa hora, exerça a sua função de pai com a autoridade que o Senhor tem lhe concedido, sem brigas, nem agressões, mas com fir­meza (Ef 6.4).

Quando perceber que seu filho está envolvido com más companhias ou com grupos que você não conhe­ce, tenha coragem de admoestá-lo.

Tudo começa de maneira simples. Depois, vêm os programas, seu filho é pressionado pelos demais para ex­perimentar uma bebida, uma dose, de repente começa a chegar tarde em casa em conseqüência dos programas, daqui a pouco aparecem viagens de fim de semana. Se você tentar proibir alguma coisa, a reação é vio­lenta e, como pai cristão, você se vê em situação desesperadora.

Não deixe que o mal prevaleça.

Acompanhe seu filho para a igre­ja. Faça programações para estarem juntos; incentive-o a participar das atividades da sua classe da EBD e do Departamento de Adolescentes. As­sim, ele sentirá que “pertence” a um grupo que, de fato, transmite coisas boas para a sua vida.

2. Considerações importantes

Deve-se levar em consideração alguns aspectos da vida do adolescen­te para que os pais cristãos compre­endam o valor da sua tarefa no que diz respeito à educação dos filhos.

2.1. Uma viagem de auto-descobertas

O adolescente encontra-se como que caminhando às apalpadelas, tropeçando aqui e ali para chegar ao co­nhecimento de si próprio.

2.1.1. Pressão em família

Nessa caminhada, ele encontra fortes pressões. A começar pelos pais e, às vezes, até por outros membros da família. São críticas constantes, nada ele faz certo, é preguiçoso, por­que não arruma a cama, porque não ora três vezes por dia, porque fala demais ou de menos. Isso gera um complexo de culpa enorme, que ini­be o adolescente de manter uma comunicação aberta, clara e constante com os demais.

2.1.2. Pressão social

Ao lado da pressão interna, vem a pressão externa.

Aquele sério conflito: ser igual ou ser diferente? Deixar de ser igual é renunciar ao grupo. É preciso que o adolescente tenha base bíblica para não aceitar as ofertas oferecidas e manter-se fiel a Jesus (Rm 12.2).

2.1.3. Perspectiva de vida

O adolescente passa boa parte do tempo ouvindo palavras desestimuladoras. Seja através da TV, de jornais ou de conversas em família. O pessimismo é o tom do assunto: nada vai dar certo, tudo vai de mal a pior, não tem mais jei­to para ninguém, é só roubo, morte, agressão, crime, imoralidade, o gover­no não faz mais nada etc.

Além disso, ainda escuta aqueles “ilustres” chavões que servem para baixar a auto-estima do adolescente: “Você não vai dar para nada”; “estou gastando meu dinheiro à toa”; “pra burro, só faltam as orelhas e a cau­da”; “é tempo perdido para você”. Palavras e mais palavras de derrota, de desânimo, de maldição, em lugar de estímulo, ânimo, encorajamento.

2.1.4. Ansiedade

A ansiedade é outro sério proble­ma que aflige o adolescente.

Ele quer chegar ao nível de perfei­ção exigido por seus pais, mas sente-se culpado por não poder alcançá-lo. Não encontra ajuda para responder aos an­seios e as expectativas a seu respeito.

O pessimismo, as ameaças, as crí­ticas constantes, as comparações, tudo isso traz uma enorme ansiedade que se torna uma angústia tão forte que é capaz de levar o adolescente ao suicídio.

2.1.5. À procura de identificação

A busca de identificação é outro problema angustiante.

O adolescente procura um herói em quem possa mirar-se e ter como seu exemplo. Por isso, observa e tira suas conclusões a respeito das pes­soas. Quem deveria ser o seu herói? A quem deveria imitar tomando como exemplo? Seria, sem dúvida, o pai. Mas, nem sempre isso acontece. Muitos pais se encontram ausentes a maior parte do tempo. Outros ado­lescentes são filhos de mãe solteira e, às vezes, nem conhecem o pai.

Então, o adolescente vai em busca de alguém que seja forte, poderoso, que tenha domínio. Esse alguém pode ser um herói da televisão, um jogador de futebol bem-sucedido, um amigo que se apresenta como líder ou mesmo um herói virtual que ele encontrou durante seus passeios pela internet.

A melhor pessoa, amais indicada para o adolescente se identificar e ter como seu herói, é o seu próprio pai.

Principalmente o pai cristão por ser um imitador de Cristo com quem se identifica (Ef 5.1,2).

2.2. Tipos de pais

Dentre muitos tipos de pais que exis­tem, serão mencionados apenas quatro que certamente darão a idéia necessá­ria daquilo que se quer explicar.

2.2.1. O pai omisso

Baixo em amor versus baixo em disciplina.

Ele está sempre ocupado para ter tempo de envolver-se com os problemas do filho. Confia que o filho é capaz de resolver suas dificuldades sozinho, pois já é um “homem”.

Por outro lado, tem a mãe que deve se ocupar em alguma coisa. E essa alguma coisa deve ser a educação dos filhos.

2.2.2. O pai autoritário

Baixo em amor versus alto em dis­ciplina.

E o tipo que não dá oportunidade de diálogo aos filhos. Ele é quem manda, quem fala, quem dita as ordens.

O “NÃO” está sempre presente em suas atitudes porque tudo é feio, tudo é pecado, tudo compromete o seu amor próprio. Ele manda e todos obedecem.

2.2.3. O pai permissivo

Alto em amor versus baixo em dis­ciplina.

Oferece muito carinho, presentes e vantagens. Acha que tudo é natural, tudo faz parte da vida. Essa é a idade de o filho aproveitar a vida, já que ele não teve esse privilégio. Por isso, permite ao filho praticar toda sorte de atitude.

Pensa em compensar os filhos com aquilo que não teve em sua adolescência.

2.2.4. O pai ideal

Alto em amor versus alto em dis­ciplina.

Esse tipo sabe dosar as coisas.

Oferece carinho, compreensão, dá oportunidade para o diálogo, o questionamento; abre mão daquilo que sabe que não é prejudicial, mas também exige a obediência aos limi­tes. É coerente, entende as necessidades do filho mas também sabe dizer o “NÃO” quando necessita.

Esse é o tipo de pai que todo filho deveria ter.

3.1 O que os filhos adolescentes dizem precisar dos pais

Na pesquisa anteriormente citada, os adolescentes ouvidos expressaram suas principais necessidades e o que esperam receber dos seus pais.

3.1. Relação de afeto

Eles desejam ver boa relação de afeto entre os pais. Demonstram a necessidade de presenciar amor en­tre eles, como modelo de identificação.

3.2. Cultivo do bom relacionamento

Deve-se começar por uma comu­nicação franca, descontraída, sem cobranças constantes, compartilhan­do os sentimentos, os projetos, os assuntos que se relacionam à famí­lia, planejando momentos de lazer para estarem juntos, sentindo satis­fação na companhia um do outro.

3.2.1. Precisam ser ouvidos

Muitos pais não dão a mínima atenção ao que o filho lhe quer dizer. Quando muito, ouvem apenas as pa­lavras mas ignoram a mensagem ne­las contida. É demonstração de confiança levar os seus problemas a sério e procurar ajudá-lo a resolvê-los.

Muitos pais, quando chegam a dar atenção às palavras dos filhos, já é tarde demais. O mal já aconteceu.

3.3. Amor incondicional

Demonstre amor sem barreiras, aceitação irrestrita, sem cobranças exageradas ou mesmo indevidas.

Faça elogios merecidos, dê a de­vida importância a fim de que o adolescente sinta que, de fato, pertence àquele grupo familiar.

Não traga à tona, a todo momen­to, os erros praticados; mas perdoe-o e ajude-o a ocupar o lugar de filho.

O caso do pai do filho pródigo é um exemplo para os pais da atualidade (Lc 15.22-24).

3.4. Responsabilidade dos pais

A educação do indivíduo é respon­sabilidade dos pais. Isso não pode ser deixado de lado nem a cargo de ter­ceiros.

A negligência traz prejuízos sem precedentes.

É fato que existem as instituições que auxiliam na educação como a igreja, a escola etc. Porém, a respon­sabilidade foi dada aos pais (Pv 22.6).

Existem outras fontes que influ­enciam na educação do adolescente como filmes eróticos, filmes agres­sivos e de terror, revistas pornográficas, certos programas de TV etc. Tudo isso traz uma certa parcela de conhecimento que, se não houver uma base bíblica para contraditar, pro­porcionará muito prejuízo para o ado­lescente, que recebe tais informações constantemente.

A palavra para os pais é: COM­PREENSÃO, LIBERDADE PARA PENSAR E MENSAGEM DE AFETO.

Seu filho adolescente está em fase de mudança.

Não deixe que alguém adote seu filho. Quer seja um amigo, a TV com seus programas agressi­vos, ou mesmo um herói virtual.

Você tem o Espírito Santo, é um cristão e, com certeza, tem tudo aquilo de que seu filho pre­cisa para aprender a ser um bom cristão e, conseqüentemente, um homem de bem ou uma mulher virtuosa.

Bibliografia A. L. Malafaia

Fonte: EBD Areia Branca

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