A Conduta dos Crentes no Lar

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O estudo a seguir deve ser colocado sob o princípio da submissão, conforme está implícito em Efésios 5.21: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus”. Esse princípio põe em destaque a autoridade de Deus sobre as coisas criadas. A relação entre marido e esposa está debaixo desse princípio de autoridade e sujeição. A esposa submete-se ao marido, como ao Senhor; o marido, por sua vez, ama a esposa e submete-se ao Senhor. A autoridade do marido não é independente, mas é sujeita à autoridade divina. Da mesma forma, os filhos sujeitam-se à autoridade dos pais no temor do Senhor.

1. A CONDUTA DAS ESPOSAS — 5.22-24

“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Se­nhor” (v. 22).

1.1. Sujeição, não escravatura.

A sujeição das esposas a seus maridos tem um novo sentido no Novo Testamento, visto que no Antigo Testamento havia maior restrição às mulheres em relação aos seus direitos. Foi no Novo Testamento que se deu nova dimensão aos privilégios femininos, mui especialmente às mulheres casadas. A sujeição das esposas não significa escravidão, pelo contrário, dignifica sua posição na sociedade por causa de Cristo.

1.2. Dignidade, não igualdade.

A Bíblia define a posição da mulher em relação ao homem e a coloca não em superioridade, mas em certa posição inferior ao homem. Não há posição de igualdade entre ambos. É uma ques­tão bíblica e divina. Entretanto, a Bíblia não diminui o valor moral e espiritual da mulher, mas coloca-a no seu devido lugar. Deus não dá o direito ao homem de desrespeitar a sua mulher nem de desmerecê-la.

A sujeição das esposas deve ser espontânea, porque é uma sujeição baseada no amor e no temor do Senhor. O apóstolo diz que a sujeição deve ser “como ao Senhor”.

1.3. Sujeição no Senhor

Essa sujeição não é cega, mas consciente. O apóstolo Paulo, ao falar do assunto na carta aos Colossenses 3.18, diz às casadas: “… estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém ao Senhor”. O final da frase explica o tipo de sujeição das casadas a seus maridos — “como convém no Senhor”. A sujeição da mu­lher ao marido tem um sentido espiritual. Na criação, o homem foi feito cabeça da mulher, isto é, o líder da família, mas essa sujeição da mulher não anula a sua personalidade.

2. A CONDUTA DOS MARIDOS — 5.25-30

É baseada na mesma regra exposta no texto, quando fala de Cristo e sua Igreja. O amor é a expressão máxima desse relacionamento. O senhorio do esposo sobre a esposa não é o mesmo de senhor e escravo. O senhorio dele baseia-se na autoridade que lhe é própria e que lhe foi dada desde a criação da mulher. O amor do marido pela esposa pode ser comparado ao amor de Cristo pela sua Igreja (2 Co 11.2,3; Ap 19.7; 21.2). Esse amor é manifesto no plano espiritual. Trata-se de um tipo de amor ágape, que se expressa no bem querer ao próximo. O modelo desse amor é Cristo, que amou de tal forma a sua esposa que deu sua vida por ela.

2.1. Um amor doador — v. 25

“… como também Cristo amou a igreja”. Cristo é o modelo do amor que o marido deve oferecer à esposa — um amor capaz de dar de si mesmo. A continuação do versículo — “… e a si mesmo se entregou por ela” — fala de um amor destituído de egoísmo; amor que é capaz de dar sua vida em sacrifício por ela.

2.2. Um amor protetor — v. 26

“… para a santificar” implica numa atitude de proteção, tomar a iniciativa de separar para si e não permitir que coisas estranhas a toquem. Santificar é separar e proteger dos perigos. A Igreja é representada como esposa.

3. A CONDUTA DE CRISTO PARA COM A IGREJA — 5.26

Assim como o homem, ao escolher a esposa, a quer só para si e se preocupa com isso, assim também Cristo separou a Igreja para si.

3.1. Requer purificação da Igreja — v. 26

“… purificando-a com a lavagem da água”. Esse texto possui uma linguagem figurada. A lavagem com água fala de limpeza espiritual e do ato do batismo.

“… pela palavra” fala dos ensinos de Cristo que orientam a vida do crente. A Igreja deve sua orientação à Palavra de Deus. que é a Bíblia Sagrada.

3.2. Requer preparação da Igreja — v. 27

“… para a apresentar a si mesmo Igreja gloriosa”. A frase mostra a missão de Cristo, através do Espírito Santo, preparando sua esposa para o dia em que ambos se encontrarão nos ares. A glória da Igreja vai sendo conquistada dia a dia. A igreja está sendo revestida da glória de Cristo para que, despida da glória do mundo, possa encontrar-se com Ele naquele dia quando Ele vai recebê-la como esposa real.

3.3 Requer uma esposa sem defeitos — v. 27

“… sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante”. A glória da Igreja resulta da pureza contida e recebida de Cristo. “Sem mácula” desfaz a possibilidade de contaminação, isto é, não há nenhuma mancha capaz de empanar a glória exigida. “Nem ruga”, isto é, qualquer saliência, defeito físico (conotação espiritual) ou qualquer tipo de vinco na pele ou nos vestidos. A esposa está sendo preparada e aperfeiçoada pelo Espírito Santo para o esposo — Cristo. Ele não aceitará, absolutamente, uma esposa cheia de defeitos, mas a quer perfeita, bela e gloriosa. “Nem coisa seme­lhante” é uma frase relativa e indefinida, pois diz respeito a qualquer tipo de defeito inaceitável por Cristo. Já o final do versículo 27 apresenta a exigência: “… mas santa e irrepreensível”. Essa exigência está exposta nos versos 26 e 27 e traduz o objetivo da obra purificadora do Espírito Santo na Igreja.

3.4. Dedica total amor à Igreja — vv. 28,29

Temos aqui a repetição da virtude que envolve a conduta dos maridos em relação às esposas, que é o amor: “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos” (v. 28). A analogia é feita pelo apóstolo para mostrar que Cristo ama a seu próprio corpo — a Igreja; da mesma forma, deve o marido amar a sua esposa: como ama a seu próprio corpo.

O versículo 29 dá continuidade ao 28, mostrando que “nin­guém aborrece a sua própria carne”, isto é, não a maltrata, mas zela e cuida dela. Assim também o marido deve amar sua esposa, porque cumpre naturalmente um princípio da criação, que é “e serão uma só carne” (v. 31). Semelhantemente, Cristo ama a sua Igreja porque ela tornou-se seu próprio corpo, conforme está escrito: “porque somos membros do seu corpo” (v. 30).

4. A CONDUTA DO CRENTE EM RELAÇÃO AO MATRIMÔNIO — 5.31-33

4.1. A origem do matrimônio — v. 31

“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe”. Essa parte do texto indica a origem do matrimônio no princípio da criação. Deus criou o homem e o colocou no Éden. Vendo que o homem estava só, resolveu criar-lhe uma adjutora, e então criou Eva. Capacitou a ambos para a reprodução, originando, assim, o matri­mônio (Gn 2.24). Paulo fez a citação de Gênesis 2.24 para forta­lecer seu ensino e argumentação. Ele ensinou acerca do plano de Deus para o casamento fazendo uma analogia entre Cristo e a Igreja, enfocando o relacionamento espiritual entre ambos.

Em relação ao casamento, Paulo refutava com veemência o pecado da poligamia, prática muito comum na vida pagã de seu século. Haveria membros da igreja que teriam mais de uma mu­lher, mas essa situação não podia ser mantida no seio da comuni­dade cristã em Éfeso. A promiscuidade tinha de ser combatida e o plano original divino do casamento precisava ser fortalecido. Observe como o texto se apresenta a seguir: “… e se unirá à sua mulher” — não a duas ou três, mas apenas a uma, para que os dois formem um só corpo, uma só carne.

4.2. A analogia do matrimônio — v. 32

A analogia do matrimônio é espiritual. É o mistério da união entre Cristo e a Igreja. Ela está sendo preparada para o marido, que é Cristo. Essa linguagem não deve ser interpretada de forma literal, mas figuradamente. É a figura da comunhão, da lealdade e do amor entre ambos. Cristo ama sua Igreja, como o marido deve amar sua esposa. Quando Paulo diz: “Grande é este mistério”, é o mesmo que dizer: “Grande é a revelação oferecida aqui” (1 Tm 3.16).

4.3. As responsabilidades inerentes ao matrimônio — v. 33

“… ame sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido”. A responsabilidade matrimonial é mútua, mas o apóstolo coloca cada um dos cônjuges nos seus devidos lugares. Ao marido é ordenado o amor legítimo e total à mulher; a ela, o respeito devido ao marido. As palavras “amor” e “reve­rência” tomam lugar no matrimônio como sendo a essência das responsabilidades inerentes ao casamento. O amor do marido deve ter sentido amplo, isto é, não só físico, mas também espiritu­al e moral. A “reverência” da mulher ao marido diz respeito à submissão amorável e espontânea. Reverenciar não significa ado­rar o marido como se fosse Deus, nem submeter-se a ele com subserviência, mas com o sentido de respeito e reconhecimento de sua autoridade como chefe espiritual e material da família. O marido que ama sua esposa como ama seu próprio corpo jamais terá uma conduta escravizadora e humilhante para com ela, mas agirá com dignidade e amor.

5. A CONDUTA DO CRENTE NAS RELAÇÕES FAMILIARES — 6.1-4

A conduta do crente no relacionamento familiar não é menos importante que a conduta entre marido e mulher. Na verdade, o mau ou bom relacionamento entre os pais refletirá sobre os filhos. Se o marido souber amar sua esposa, como convém a um bom marido, e for correspondido pela esposa com respeito e com o mesmo amor, não haverá dificuldade na formação moral e espiritual dos filhos. O pai dentro do lar é o sacerdote da família, e o seu sacerdócio deve refletir o ensino das Escrituras. Se ele é obediente a Deus, e a esposa, por sua vez, é obediente a ele, não haverá problemas para que os filhos sejam também obedientes e tementes a Deus.

5.1. O princípio da obediência — v. 1

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais”. A obediência é um princípio que deve ser ensinado aos filhos. Esse princípio deve nortear suas vidas para que sejam felizes. A natureza huma­na é ardorosa e rebelde, independentemente da idade. Se um filho menor não for contido e levado à obediência poderá correr o risco de perder-se em rebeldia. A obediência deve ser ensinada com firmeza e com amor.

“… no Senhor, porque isto é justo”. A expressão “no Senhor” indica a razão do ensino. Por que obedecer “no Senhor”? Primei­ro, porque é uma ordem dEle, não do apóstolo especificamente. A Bíblia deve ser nossa regra de fé e conduta; a ela devemos submissão. Em segundo lugar, “porque isto é justo”. Equivale a dizer que é um ensino fundamentalmente correto e indiscutível. Porque o que é justo tem sua base na justiça. Portanto, a obediên­cia é necessária e justa.

5.2. O valor da obediência — v. 2

O valor da obediência é facilmente percebido na palavra “honra”, que traduzida do grego timão quer dizer: valorizar, estimar, dar preço a. Os filhos devem ser ensinados a honrar os pais, porque assim a Bíblia ordena: “Honra a teu pai e à tua mãe”.

A desobediência desonra os pais, visto que é a obediência o alicerce da felicidade de um lar. A obediência deve ser racional, passível e cheia de amor. Há muitos pais que exigem obediência dos filhos, mas um tipo de obediência cega e irracional. Os valores da vida devem ser colocados em destaque. Quando os filhos tiverem consciência desses valores, a obediência aos pais será questão de honra para eles.

O apóstolo declara que é “o primeiro mandamento com pro­messa”. Por que Deus faz promessas aos obedientes nesse manda­mento? Porque a célula mater da sociedade é a família. O bom relacionamento entre pais e filhos dignificados com a honra, o amor e o respeito trará resultados positivos. E a promessa surge logo no versículo seguinte: “… para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (v. 3). Na verdade, Paulo faz a citação e reafirma o texto que está em Êxodo 12.20. A promessa tem um sentido presente e futuro. A obediência desse mandamento para os filhos lhes trará bênçãos materiais e espirituais. O crente deseja o Céu antes de tudo, mas a promessa é também “sobre a terra”.

5.3. Obstáculos à obediência — v. 4

A obediência deve ser aplicada dentro do padrão divino. Esse padrão não admite qualquer violência que anule o sentido moral e espiritual da obediência. A obediência não deve ser exigida, mas ensinada de modo claro e conciso. Muitas vezes, a razão da desobediência dos filhos é por não entenderem porque devem obedecer a determinada ordem.

Paulo destaca um obstáculo capaz de levar os filhos à desobediência. Está escrito: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos”. O sentido da palavra “ira” nesse versículo é represália ou repulsa. Um tipo de exigência irracional e in­compreensível não oferece aos filhos a condição espontânea de obedecer. Ao contrário, cria neles a revolta e uma espécie de antipatia em relação ao tipo de obediência exigida. O mes­mo versículo apresenta o caminho para que os pais levem seus filhos à obediência, que é a disciplina: “… mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor”. A disciplina deve ser coerente com os padrões familiares expostos na Bíblia. A disciplina deve ser consistente, ainda que flexível, isto é, ela deve ser aplicada com firmeza e não deve sofrer alteração depois de emitida uma ordem disciplinar. Entretanto, a disciplina deve ser flexível quanto ao método aplicado. Os pais não devem persistir num método cujo efeito não alcance o objetivo educacional. Os filhos devem sentir a força e o peso da disci­plina aplicada e mantida, para que os pais não caiam em descrédito perante eles.

Não provocar “a ira” a nossos filhos equivale a reconhecer que eles são iguais a nós como pessoas dotadas de sentimentos. A ira pode ser representada por aqueles sentimentos que criam o ódio, a amargura, o rancor. Os pais, quando tratam com os filhos, devem lembrar-se de que eles são seres humanos, não máquinas nem robôs. Deve-se respeitar o sentimento deles. A provocação da ira nos filhos afasta-os da comunhão com os pais e os torna, muitas vezes, alienados dentro do lar.

A disciplina feita na “admoestação do Senhor” formará personalidades fortes e sadias, moral e espiritualmente. A dis­ciplina dentro dos padrões bíblicos corrige não só os filhos, mas também os pais quanto aos métodos aplicados. O padrão bíblico de disciplina familiar equilibra os métodos aplicados. Esses métodos não devem ser excessivos nem permissivos. A disciplina excessiva traz amargura e alienação dentro do lar. A disciplina permissiva satisfaz todos os desejos dos filhos maus ou bons, e os transforma em tiranos e libertinos. A Bíblia também é instrumento de correção, conforme está escrito: “Toda a escritura divinamente inspirada é proveitosa para en­sinar, para redarguir, para corrigir e para instruir em justiça” (2 Tm 3.16).

Essa disciplina deve ser feita sempre na “admoestação do Senhor”, isto é, sua aplicação deve ser feita com a lembrança de que Deus assim o quer.

Bibliografia Elienai Cabral

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