A Doutrina do Pecado

“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12).

O pecado não é apenas uma transgressão da lei de Deus, mas uma afronta à santidade do Todo-Poderoso, que exige que sejamos santos em toda a nossa maneira de viver.

O que é pecado? Como se manifesta? Como entrou no mundo? Estas perguntas têm deixado muitos pensadores perplexos. Somente a Bíblia tem resposta completa e satisfatória. Os homens não regenerados sentem uma inclinação maligna para o pecado, e só a graça de Deus poderá transformar esta natureza, fazendo deles, novas criaturas em Cristo Jesus.

A Bíblia ensina que o homem deixou entrar o pecado neste mundo. Ele abusou tanto de sua liberdade como dos seus poderes pessoais: escolheu o mal e rejeitou o bem.

Segundo as condições em que foi criado, era de esperar que o homem escolhesse o bem. A tendência devia ser esta, mais natural. Mas, ao invés disto, com grande e geral desapontamento, fez a pior escolha que poderíamos imaginar. E, isto, depois de Deus o haver aconselhado a que escolhesse o bem. Não obstante, o homem escolheu, livre e voluntariamente, o mal. E daí dessa escolha deliberada, originou-se o pecado.

A questão do pecado tem sido alvo de muitas teorias. Algumas delas negam taxativamente a realidade do pecado. Outras, tornam-no inconseqüente; algo natural à vida humana. Porém, a Bíblia não compartilha dessas infundadas idéias. Como no texto áureo da nossa lição, ela declara que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).

A Realidade do Pecado

1. Discussão filosófica sobre o pecado. Alguns filósofos discutem a questão do mal moral sugerindo que essa força esteja intrinsecamente ligada à vida, veja na Ajuda. Outros pensam que o mal teve uma origem voluntária, isto é, se originou na livre escolha do homem.

Há, ainda, os que querem abrandar a realidade do pecado e seus funestos resultados. Vejamos alguns exemplos:

a) Ateísmo. Esta teoria nega que o pecado seja real, assim como a existência de Deus. Há uma relação negativa entre pecado e Deus, visto que o pecado afeta diretamente sua santidade. Uma vez que o ateísmo nega a existência de Deus, também, nega a realidade do pecado.

b) Gnosticismo. Ensinam que existe um princípio eterno do mal, e sustentam que no homem, o espírito representa o princípio do bem, e o corpo, o do mal. Ora, é impossível que haja fora de Deus algo que seja eterno e independente. A Bíblia declara que o mal tem um caráter ético. Por isso, tratar o pecado como uma coisa puramente física significa negar seu caráter ético e espiritual. O gnosticismo tenta fugir da idéia real do pecado ensinando, inclusive, que o corpo, por ser mal, deve ser destruído pelo ascetismo e licenciosidade. Uma tremenda mentira de Satanás!

c) Determinismo. Os adeptos desta teoria ensinam que o livre-arbítrio, simplesmente, não existe: quem faz o bem não possui qualquer mérito, e quem faz o mal não pode ser condenado. Ao contrário disso, a Bíblia ensina que o homem é livre para escolher entre o bem e o mal. O homem não pode ser tratado como vítima da fatalidade ou casualidade quando peca. Para os deterministas o homem, por ser escravo das circunstâncias, deve ser alvo de compaixão e não de castigo.

d) Hedonismo. Esta falsa teoria afirma que tudo que causa prazer deve ser praticado. Os hedonistas não se preocupam com o certo ou errado. Eles dizem: “se o sexo dá prazer, porque evitá-lo?” O hedonismo, em sua versão mais moderna, prega que não se deve reprimir os desejos físicos, mas, dar vazão a todos eles. Em nome dessa ideologia, estimula-se a experiência sexual entre os jovens e a liberdade para satisfazer os vícios.

Segundo a Bíblia, o prazer sexual no casamento é perfeitamente normal, mas fora dele, constitui-se pecado. Na realidade, os prazeres da carne manifestos como: glutonaria, bebedice, licenciosidade, e outros são duramente refutados pela Palavra de Deus (Rm 16.18).

A Palavra de Deus não titubeia: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal” (Is 5.20).

2. A fonte do pecado. Deus é o Criador de todas as coisas. Entretanto, não é responsável pela manifestação do pecado. Veja o que diz a Palavra de Deus: “longe de Deus a impiedade, e do Todo-poderoso, a perversidade” (Jó 34.10). Portanto, constitui-se blasfêmia contra Deus atribuir-lhe a autoria do pecado.

Na verdade, o pecado é um ato livre das criaturas de Deus, uma vez que elas são seres morais, dotadas da capacidade de perceber o certo e o errado. O homem é um agente moral livre para decidir o que fazer da sua vida.

3. A origem do pecado no Universo. O pecado originou-se nas regiões celestiais quando o Diabo, querubim que servia na presença de Deus, encheu-se de arrogância e desejou usurpar o trono do Criador (Is 14.13,14). Por sua livre vontade escolheu o caminho do pecado, o que motivou sua destituição das suas funções celestiais, condenação, e execração eterna.

4. A origem do pecado na raça humana. A Bíblia ensina que o pecado de Adão afetou muito mais que a ele próprio (Rm 5.12-21; 1 Co 15.21,22). Esta transgressão de Adão é chamada de pecado original. Esse pecado do primeiro homem, Adão, passou a fazer parte da natureza humana.

O pecado de Adão fê-lo culpado, e sua culpa foi automaticamente imputada a toda a sua descendência (Rm 5.12-19; Ef 2.3; 1 Co 15.22).

Como a Bíblia Descreve o Pecado

A Bíblia emprega vários vocábulos no Antigo e no Novo Testamento para definir o pecado.

 

1. Palavras que descrevem o pecado, no hebraico (hb) e no grego (gr).

a) Chata’th (hb) e hamartia (gr). Estes termos dão o sentido de “desvio do rumo”, como o arqueiro que atira suas flechas e erra o alvo.

b) Avon (hb) e adikia (gr). Aqui o sentido indica “falta de integridade”; alguém que se desvia do seu caminho original.

c) Pesha (hb) e parabasis (gr). O pecado é visto como uma revolta; uma insubordinação à autoridade legítima de Deus, ou rompimento de um pacto ou aliança.

d) Resha (hb) e paraptoma (gr). Significam fuga culposa da lei.

Todas essas palavras falam do pecado com sentido ético, pois, envolvem relações sociais e espirituais.

2. Expressões bíblicas que descrevem o pecado.

a) “Toda iniqüidade é pecado” (1 Jo 5.17). Deus não classifica tipos ou tamanho de pecados como fazem os sistemas sociais. Para o Altíssimo todo pecado constitui-se numa afronta à sua santidade.

b) “Todo pecado é transgressão da lei” (1 Jo 3.41). Transgredir significa infringir, violar, quebrar a lei, passar dos limites. Todo e qualquer mandamento divino deve ser obedecido, pois, desobedecê-lo significa transgredi-lo.

c) “Tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.23). Duvidar da Palavra de Deus constitui-se pecado, assim como, rejeitar o Salvador e negar suas promessas. Jesus disse: “Do pecado, porque não crêem em mim” (Jo 16.9).

A Culpa e o Juízo do Pecado

1. A pecaminosidade de toda a raça humana. A Bíblia faz várias declarações a respeito da universalidade do pecado. Vejamos alguns exemplos do Antigo Testamento: “não há homem que não peque”(1 Rs 8.46); “porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (Sl 143.2); “quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?”

No Novo Testamento, este ensino é bastante enfatizado pelos apóstolos: “Não há um justo, nenhum sequer; não há quem faça o bem, nenhum sequer” (Rm 3.10-12); “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23); “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1.81).

2. A imputação do pecado. Imputar o pecado significa “atribuir a alguém alguma falta ou transgressão, ou seja, creditar na conta de alguém”. A Bíblia diz que o pecado de Adão foi imputado a seus descendentes. Por isso, as Escrituras encerram todos debaixo do pecado, “todos pecaram” (Rm 5.12-21).

3. A culpa do pecado. Logo após Adão e Eva terem pecado, a Bíblia diz que seus olhos foram abertos, ou seja, tiveram consciência de suas culpas: “então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus” (Gn 3.7). A culpa é a convicção na consciência, pela violação voluntária da Lei. O transgressor é conscientizado pela consciência ou pela Lei, que o seu ato exige expiação. A serpente disse a Eva que, se ela e seu marido comessem do fruto proibido, “seus olhos se abririam, e seriam como Deus, sabendo o bem o mal” (Gn 3.5). Porém, ao invés de sentirem-se como Deus, experimentaram um tremendo sentimento de culpa.Perderam a comunhão com Deus e, logo a seguir, iniciou-se o terrível conflito entre a carne e o espírito (Rm 7.14-24).

4. O juízo contra o pecado. Trata-se da penalidade ou punição do pecado. A punição do pecado é inevitável (Êx 20.5). Ele representa um débito do pecador para com Deus que deve ser irremediavelmente quitado. O preço estipulado para o pagamento desta dívida é muito alto: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

Levando em conta o que a Bíblia diz sobre a justiça e santidade de Deus, o pecado deverá ser punido com rigor. A Lei exige a punição do pecado e do pecador: “A cada um retribuis segundo as suas obras” (Sl 62.12). A penalidade do pecado visa a vindicação da justiça divina, isto é, Deus requer juízo contra o pecado.

Concluindo

O nosso conhecimento sobre o pecado ajuda-nos entender as demais doutrinas bíblicas. A compreensão da natureza do pecado renova nossa sensibilidade espiritual; gera santidade na vida do crente, levando-o a crer que a vida deve ser vivida na esperança certa de um futuro além do pecado e da morte.

Bibliografia E. Cabral

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