O cristão e as relações sociais

“Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos nem à igreja de Deus” (1Co 10.32).

Estamos sendo transformados segundo a imagem de Cristo, temos portanto o dever de demonstrar ao mundo a realidade desta operação do Espírito em nossa vida.

Todo o crente precisa dar testemunho de Cristo diante da sociedade em que vive. Testemunhar significa muito mais que simplesmente falar de Cristo. Testemunhar é também reconhecer as autoridades levantadas por Deus para servirem de governantes no mundo. Por amor de Cristo, o cristão deve reconhecer e aceitar suas responsabilidades e obrigações de cidadania, em submissão aos direitos legítimos do Estado. A obrigação cristã não depende do caráter pessoal da autoridade, mas depende do ofício exercido e dos deveres de que essa autoridade está encarregada (Rm 13.1).

Enquanto a obediência às leis humanas não envolve desobediência a Deus, cumpre-nos submetermo-nos a elas por amor a Cristo (At 4.19; 5.29).

O crente tem um relacionamento com a sociedade, e deve ser visto como um bom cidadão, cumpridor dos seus deveres e respeitador das leis. Deus deseja que sejamos um exemplo para o mundo, influenciando os que estão à nossa volta. As autoridades foram instituídas por Deus para julgar os que praticam o mal e recompensar os bons cidadãos. Apesar dessas designações, as autoridades são humanas e, por isso, falhas. Uma das falhas pode ser julgar erradamente os bons, reputando-os por maus. É principalmente nesse caso que deve o cristão manter o testemunho de Cristo.

Que tipo de relacionamento deve ter o crente com a sociedade? Deverá isolar-se totalmente do mundo a fim de manter-se afastado das más influências, ou aproximar-se dele para transformá-lo com o poder do evangelho de Cristo?

O Cristão e o Próximo

1. Exemplo para o mundo. O v.12 faz-nos lembrar da oração sacerdotal de Jesus quando disse: “Não peço que os tires do mundo; mas que os livres do mal” (Jo 17.15). A missão dos discípulos de Cristo é ser sal da terra e luz do mundo. Isso exige ter contato com o mundo, e não tremer diante dele ou fugir. Cristo não orou para que seus discípulos fossem tirados do mundo, mas sim, preservados do mal que há no mundo.

Todo crente deve influenciar a sociedade à prática do bem com o testemunho de sua própria vida, tendo sempre o cuidado de manter-se afastado das concupiscências carnais. O modo de viver do cristão tanto pode exaltar como denegrir o nome de Cristo.

2. As boas obras. Para o cristão, “fazer o bem” significa viver conforme os ditames da Palavra de Deus, os quais expressam a sua vontade (1 Pe 3.10-12; 4.2; 1.15). A vida cristã genuína deve ser vivida de tal forma que, ao observá-la, as pessoas se sintam motivadas a glorificar a Deus (Mt 5.16).

3. A liberdade cristã. O exercício da liberdade cristã pelo crente não é simples e fácil como muitos imaginam. Além desta epístola, outros livros da Bíblia tratam do assunto com detalhes, como Gálatas, Romanos e 1 Coríntios.

O v.16 nos ensina que a liberdade cristã nunca deve ser usada para “encobrir” atos maliciosos. Se a liberdade for usada para o mal, deixa de ser liberdade, para ser escravidão espiritual.

A conduta e o comportamento antibíblicos de certos crentes, considerados como “uso da liberdade cristã”, não é outra coisa senão anarquia na igreja (cf. 2 Pe 2.19). É o temor do Senhor, os ensinos da Palavra de Deus, a direção e o poder do Espírito Santo em nossas vidas que nos levam ao correto uso da autêntica liberdade cristã. Em suma, o autocontrole impelido pelo Espírito é a única base duradoura para a liberdade: “Se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gl 5.18). O homem inteiramente controlado por Deus é verdadeiramente livre. Não significa fazer o que queremos para satisfazer a vontade da nossa natureza humana e carnal. É liberdade em Cristo para fazer o que devemos, segundo a vontade do Senhor (Lc 14.33).

Uma pessoa que realmente ama a Deus não se fiará na liberdade de Cristo para conduzir sua vida separada da soberana vontade do Pai, desonrando-o em sua santidade.

Liberdade Cristã

Benefício da graça pelo qual o pecador arrependido é liberto da velha natureza, passando a viver de forma voluntária e integral para a glória de Deus (Jo 8.32).

Soberana vontade do Pai

Autoridade inquestionável que Deus exerce sobre todas as coisas criadas, quer na terra, quer nos céus, dispondo de tudo de acordo com os seus conselhos e desígnios.

O Cristão e o Estado

1. Autoridades. Jesus ordenou: “Daí a César o que é de César” (Mt 22.21). A Bíblia ensina que os que governam o fazem por delegação divina. Todo poder pertence a Deus (Sl 62.11). Portanto, submeter-se à autoridade é um modo de honrar a Deus. A submissão é um ato de fé que estabelece Deus como a autoridade máxima sobre o relacionamento, seja como governo, igreja, emprego ou família. Quanto maior a autoridade, maior a responsabilidade para com Deus. Todo cristão deve respeitar as leis, ser cauteloso e autodisciplinado.

2. “Sujeitai-vos”. A expressão “sujeitai-vos” (v.13), não implica obediência cega às autoridades, mas consciente, à luz da fé cristã. Observe as palavras do próprio apóstolo Pedro perante o Sinédrio: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus” (At 4.19). Deus instituiu e ordenou os governos para garantir a ordem e a justiça na sociedade, por isso o crente deve submeter-se a eles. Todavia, se tais governos deixarem de exercer a sua devida função, e passarem a agir no sentido contrário a Palavra de Deus, o cristão deverá obedecer a Deus, e não mais aos homens. Esta doutrina continua em Romanos 13.1-7 e Tito 3.1,2.

Relações de Trabalho

Além do v.18 desta lição sobre o relacionamento patrão-empregado e chefe-subordinado, há várias outras orientações bíblicas sobre o assunto, como em Ef 6.5-7; Cl 3.22-25; 1 Tm 6.1,12; Tt 2.9,10; Rm 13.1-7. Nestes textos aprendemos que os empregadores devem ser generosos e os empregados honestos e zelosos no seu trabalho, merecendo assim o reconhecimento do seu serviço. Essa relação deve basear-se no respeito e ajuda mútua, uma vez que todos os homens têm um Senhor nos céus, a quem terão de prestar contas.

1. Os deveres dos que prestam serviço a outrem. O que quer que o cristão faça, deve ser feito como ao Senhor (Rm 14.7-9). Ou seja, deve trabalhar como se Cristo fosse o seu patrão, sabendo que todo o trabalho realizado “como ao Senhor”, um dia será recompensado com um galardão (Ef 6.6-8).

Qualquer trabalho ou serviço deve ser prestado como se fosse oferecido ao próprio Senhor celestial. Em todas as coisas, o que importa é o “espírito” com que é feito o trabalho, e não simplesmente o produto como o homem o vê – tudo o que se faz deve ser feito de coração e de boa vontade (Cl 3.22).

2. A atitude do senhor. O patrão ou chefe cristão deve saber que tudo o que ele diz ou faz ao seu subordinado deve ser dito ou feito lembrando-se de que ele (o patrão) tem um Senhor nos céus. A Ele deve esse patrão ou chefe prestar contas, inclusive quanto à maneira com que tratou seus subordinados. Há patrões e chefes que se dizem crentes e reduzem seus subalternos a pouco mais que escravos, exigindo trabalho longo e árduo, em troca de um salário insignificante, simplesmente por gozarem de posição social privilegiada. Para Deus, tanto o servo quanto o senhor estão no mesmo nível (Cl 3.11), pois para Ele não há acepção de pessoas.

Concluindo

O cristão deve ser um instrumento que conduza por sua vida e testemunho outros ao reconhecimento da ação de Deus nas pessoas e no mundo, de forma que possam se chegar a Deus e glorificá-lo.

“A Bíblia mostra-nos que, como cristãos, podemos viver sob qualquer forma de governo. Ainda que, como estrangeiros, nossos direitos sejam limitados no que diz respeito a este mundo. Mas enquanto cidadão dos céus, temos uma lealdade mais elevada, e isto deve colidir com nossas responsabilidades perante os potentados terrenos. Foi o que ocorreu quando o Sinédrio ordenou a Pedro e a João a não mais pregarem no nome de Jesus. Eles foram obrigados a declarar que lhes era necessário obedecer antes a Deus que aos homens. O próprio Jesus os tinha comissionado. Por isso, não podiam deixar de contar as coisas que haviam visto e ouvido (At 4.19,20).

“Vejamos o exemplo do próprio Cristo. Num momento difícil, Ele evitou o choque com o poder imperial romano, ao recomendar: “Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). A Bíblia é muito clara ao afirmar que Deus instituiu as autoridades terrenas para que mantenham a ordem e a legalidade (Rm 13.1-7).

“A responsabilidade do cristão, enquanto residente temporário na terra, é submeter-se de boa vontade às instituições humanas. Assim o fazemos não porque tais instituições sejam boas. Elas podem estar mui distantes do ideal bíblico. O império romano em nada diferia das ditaduras modernas. Não obstante, Pedro e Paulo exortavam os crentes a acatarem-lhe as leis. Assim procedemos não para agradar ao governo, mas a Deus.

“Uma breve observação da história é suficiente para demonstrar que o cristão nada obtém de real ao envolver-se em atividades subversivas, ainda que pacíficas.

“Ao sujeitar-nos aos soberanos e governantes terrenos (1 Pe 2.14), reconhecemo-los como enviados por Deus. Isso significa que Deus é que detém o controle de tudo …

“Deus pode utilizar-se do governo humano (1 Pe 2.15) para reconhecer o nosso bom procedimento, e silenciar a ignorância dos que se recusam a considerar a verdade.”

Bibliografia E. Lira

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